Review - DC Universe: Rebirth




O retorno do otimismo e da esperança ao Universo DC.


Olá!
Tudo bem? 
(Eu espero que esteja)
Meu nome é Cleber Maia, tenho 32 anos e leio quadrinhos desde os 10.
(essa informação pode ser relevante a seguir...ou não)
Para a resenha a seguir, vou fazer uma "breve" introdução ao assunto.
Qual tem como objetivo, contextualizar minha impressão a respeito de DC Universe: Rebirth.
Espero que você aprecie a leitura e desde agora, lhe convido para que compartilhe sua opinião em nossa área de comentários.


Os fatos até agora...


Assim como muitos leitores, realmente não acompanhei com muito afinco as edições dos Novos 52.
Na verdade, na época do lançamento, tentei acompanhar. Lia todas as notícias a respeito, aguardava ansioso a divulgação dos novos uniformes. Tinha esperança na nova proposta editorial da DC, assim como nas equipes criativas quais estavam responsáveis por cada revista.

Então iniciou aquela nova era. Comecei lendo praticamente todos os títulos publicados na estreia. Minha pretensão era conhecer tudo, afinal era uma ótima oportunidade para isso. E conforme a apreciação deixaria de acompanhar os que não gostasse.
 Porém (devido a diversos fatores) fiquei um tempo sem ler HQs. Um grande tempo. E com isso fiquei com uma impressão inicial deste novo Universo DC, onde logo de começo os heróis apresentavam um novo comportamento.
Na minha impressão, eles estavam mais sínicos, cruéis e com atitudes contraditórias a aquilo qual cresci lendo e idealizava para cada um deles. Isso em sua maioria, com as brilhantes exceções do Flash, Mulher-Maravilha e Aquaman, quais despontavam em meio a personagens com atitudes "mais modernas" e "realistas", que fugiam do que eu procurava ao ler uma história em quadrinhos.

Não pensem que não gostei dos novos 52 ou que estava tudo errado. O que tento dizer é que: no fundo, eu me sentia incomodado com essa mudança. Era uma alteração desconfortável, qual eu mesmo tentava me convencer que era a tendência mais certa e que "viria para ficar". Inclusive nos filmes produzidos pela Warner.
Durante esse período fomos apresentados a um novo Superman nos cinemas, em Man of Steel. Onde outros aspectos foram explorados, diferentes das versões cinematográficas anteriores, qual representava "de forma realista" como seria a apresentação do último filho de Kripton ao planeta Terra. Em um filme, com uma nova proposta, iniciando uma nova era nos cinemas para DC. Com um novo argumento referente ao brasão que ele exibia no peito, onde o “S” passava a representar esperança, enquanto mesmo deslocado o herói buscava encontrar seu lugar entre os humanos.
Mas então ele quebrou o pescoço do vilão no fim do filme...

Mais uma vez, me convenci que os tempos são outros. E que esse é o Superman para a nova geração. Me restavam apenas duas opções: gostar ou não.
Optei por gostar, mesmo que lá no fundo (relevando algumas coisas), sentisse o mesmo desconforto qual senti com as HQs. 
Afinal, nas revistas, no momento que o Superman, usou sua super-força para arrancar o braço de um parademonio e usou sua visão de calor para exterminar mais alguns, ele deixou claro que: Este era um novo Superman, para a nova geração.
Ou seja, não era mais para mim. Assim como com o filme, com os quadrinhos possuía duas escolhas: continuar gostando ou deixar de gostar. Dessa vez optei pela segunda, parando com a leitura das HQs.

Depois disso, houveram algumas recaídas, li algumas revistas isoladas. Acompanhei alguns arcos, mas sem tanto interesse. Afinal estava tudo mudado mesmo. Gradualmente fui me limitando as noticias publicadas por sites dedicados ao tema.


Assim fiquei sabendo que, desfizeram a Crise nas Infinitas Terras; que revelaram a identidade secreta do Superman (qual ganhou poderes novos...depois perdeu todos os poderes), que o Batman era o Comissário Gordon de armadura, entre tantas outras coisas.

Quando percebi, já haviam se passado quase cinco anos, desde que os Novos 52 estão aí. E cada vez mais, me afastei deste universo. Mesmo assim, ele continuou acontecendo e se reinventando (com o objetivo de aumentar as vendas) enquanto estive cada vez mais por fora disso tudo.

Então neste ano, finalmente estreitou Batman V Superman - A Origem da Justiça. Algo que realmente acreditava impossível, aconteceu. Colocaram dois dos maiores heróis da minha infância em um filme. Juntos! Depois de tantas histórias premiadas, desenhos animados e até ideias de roteiros que inventava durante as brincadeiras de criança... finalmente veria acontecer esse grande evento! De forma oficial, em grande produção, com roteiro usando de referencia muitos quadrinhos que cresci lendo.
Porém... o resultado não foi exatamente como eu esperava. Mesmo assim... eu gostei do filme.

Mas pelo jeito, o filme não atendeu as expectativas de muitas outras pessoas.
Tanto que, esse resultado deve ter colaborado para as mudanças em toda linha editorial.
Mudanças que estão começando agora, no Universo DC!


Assim somos apresentados a DC Universe: Rebirth.

A história com roteiro de Geoff Johns e arte de Ethan Van Sciver, Ivan Reis, Gary Frank e Phil Jimenez (capa: Gary Frank), começa com o reaparecimento de Wally West.
Propositalmente surgindo de fora desse mundo.
 Geoff Johns acertou em cheio na analogia, dedicada para aqueles leitores (assim como eu) que estiveram afastados dos novos 52. A edição, possui esse primeiro objetivo: a reaproximação.
 E a partir das primeiras páginas, acompanhamos Wally, mais jovem e vestindo o uniforme de Kid Flash.  E junto dele, revistamos este universo, diferente, devido as mudanças ocorridas nos últimos 5 anos de reformulações.
De forma dinâmica, simples, porém eficaz somos conduzidos por uma recapitulação entre alguns dos eventos ocorridos, passando pela reapresentação de personagens e a preparação para o que está por vir. 
O objetivo de Wally é claro, ele busca uma forma de voltar a existir nesse novo mundo.


ATENÇÃO: O Review abaixo contém spoilers sobre a trama. Leia por sua conta e risco.


A Edição é divida em 04 capítulos. Curiosamente iniciados no a letra L (no idioma original).


Capítulo 1: Perdido (Lost)


Acompanhamos o retorno de Wally West, qual está preso na força de aceleração, onde foi esquecido. Dez anos de história foram roubados do universo e Barry Allen não foi o culpado. Assim Wally busca ajuda de Batman, qual investiga o desaparecimento de Superman.
A seguir, testemunhamos o momento que este conclui não existir apenas um coringa...e sim três! Batman não que reconhece Wally, que novamente é puxado de volta para força de aceleração.
Cada vez que Wally busca contato com alguém e falha, fica mais próximo da morte.









Capítulo 2: Legado (Legacy)


Continuamos juntos a Wally, que desta vez tenta contato com Johnny Thunder, em um asilo para idosos, com a intenção de que ele encontre a Sociedade da Justiça. Porém ele falha. Também descobrimos que a Legião dos Super-heróis ainda existe. A seguir, é mostrado uma cena qual Ray Palmer pede a ajuda de Ryan Choi. E em outra, Ted Kord é revelado como mentor de Jaime Reyes. Ao final, o Senhor Destino reaparece e conta para Ted que o escaravelho de Jaime Reyes, na verdade, é mágico! Novos heróis nos são reapresentados: Robin (Damian Wayne), Lanterna Verde (Jessica Cruz) e Aqualad. Pandora encontra o seu fim.







 

 

Capítulo 3: Amor (Love)


Uma nova relação entre Diana e Darkseid é apresentada.
Arqueiro Verde e Canário Negro, sentem de forma reprimida algum sentimento perdido e esquecido, devido a essa alteração do Universo.
Com o desaparecimento do Superman repercutindo, somos apresentados a uma família morando em um hotel de beira de estrada (easter egg: Siegel Hotel). Assim encontramos Clark Kent (pré-Novos 52) casado com Lois e pais de um menino (Jon Kent). Ou seja, o Superman clássico está voltando!!
Enquanto Wally segue vagando pelo mundo, atráves da força de aceleração, testemunhamos o momento em que Aquaman pede Mera em casamento.
Com isso, Wally conclui que também deve reencontrar o amor da sua vida, Linda Park. Afinal, ela sempre foi sua "ancora". Não importando qual tipo de viagem no tempo ou de realidade vistasse, ele sempre retornava, graças a ela. Com esse pensamento, ele renova suas esperanças e vai a sua procura. Durante esse caminho, nos deparamos com uma enorme cratera, onde anteriormente foi o campo de uma batalha entre o Superman (Novos 52) e um poderoso meta-humano. Ao que tudo indica, ele está morto ou desaparecido desde então.
Em meio aos repórteres que se encontram neste local, está Linda. Wally entra em contato com ela, mas ela não o reconhece!




Capítulo 4: Vida (Life)


A impressão que me passou,foi que aos poucos o otimismo de Wally foi sendo contaminado por essa "Nova" realidade. Pois durante sua jornada, ele aos poucos foi perdendo a esperança e aceitando essas mudanças. Ainda mais, após o fracasso no contato com Linda, isso fica mais evidente.
Cada vez mais conformado de que não possui espaço neste universo, ele confirma que o outro Wally (negro) já existente é uma pessoa diferente. Na verdade, os dois possuem o mesmo parentesco e receberam o mesmo nome em homenagem ao avô em comum. Assim ele aceita deixar de existir.
Como ato final, enquanto espera que sua existência ser desfeita, Wally vai ao encontro de Barry Allen para agradecer por tudo. Mesmo ciente que Barry não se lembraria dele.
Então o momento mais emocionante da edição acontece: No momento que Wally vai morrer, tragado pela força de aceleração, Barry relembra tudo!
E o puxa de volta e o abraça.
Assim como a edição, teve a mesma missão de puxar de volta o leitor qual estava deixando o Universo DC!
Em DC Universe Rebirth, nós somos e estamos com Wally West!
E quando Barry o abraça, recebendo de volta e se questionando "Como pude me esquecer de você!?". Ali foi a DC em um pedido de desculpas para os leitores antigos, que não se identificavam com "Os Novos 52"!  (Como ela pode esquecer daqueles que a acompanharam ao longo de tantos anos!?).
Se você foi um destes, entre tantos... sinta-se abraçado pela DC e por Barry Allen!
A ilustração deste abraço, com certeza entrará para a história dos HQs.
Seu simbolismo trará consigo todas as memórias relacionadas com este e com os futuros eventos relacionados.







Epílogo:


A edição conclui com os indícios a respeito da existência dos personagens de Watchmen. Como se eles fossem existentes neste universo. E também com a impressão de que Doutor Manhattan teria algum envolvimento na "perda" dos dez anos da história do universo DC.

Nesse aspecto que considero que a edição deu uma derrapada.
Ao meu ver, não precisava envolver nada referente a Watchmen com o universo principal.
Afirmo isso, por pensar em Watchmen como uma história fechada e feita para outra época, em outro contexto.
Além do risco de mexer com algo considerado "sagrado" para muitos leitores.
Algo tão provocativo quanto (dada as devidas proporções) usar um clássico do Rock em uma nova versão Remix Pop caça níquel.


Minhas avaliações para edição:

9 Avaliação técnica, referente ao roteiro, narrativa, diálogos, e arte.
10 Avaliação emocional, relativa ao o impacto gerado pela revista.
9.5 Nota final
Avaliador Cleber Maia





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